Uma em cada cinco crianças tem excesso de peso ou obesidade, na Europa. E a esta estatística juntam-se 400 mil crianças por ano. Portugal não foge aos números, sendo até o segundo país com mais meninos gordos. Para além dos problemas psicológicos que costuma acarretar, a obesidade infantil é um importante factor de risco de várias doenças. Por isso, vamos fazer mais pelas nossas crianças: a má alimentação e a reduzida actividade fisica, apontados como as principais causas, são preveníveis e corrigíveis.
É chamada pelos especialistas como a «epidemia do século XXI». Não é caso para menos. A obesidade tem vindo a aumentar, por todo o mundo. Nos países europeus, «triplicou, desde 1980». Actualmente, «cerca de 20% da população europeia é obesa», comunica a Plataforma de Luta Contra a Obesidade da Direcção-Geral de Saúde (DGS).
Portugal encontra-se numa das posições mais desfavoráveis do cenário europeu, apresentando «mais de metade da população com excesso de peso e sendo um dos países em que é maior a prevalência de obesidade infantil, já que 30% das crianças apresentam sobrepeso e mais de 10% são obesas», comunica aquele organismo da DGS.
A tendência é, de facto, particularmente preocupante nas crianças. A International Obesity Taskforce (IOTF) estima que, na Europa, 14 milhões de crianças (ou seja, uma em cada cinco) tenha excesso de peso - das quais três milhões são obesas. E a taxa de crescimento desta doença tem seguido uma tendência a que se juntam 400 mil crianças por ano (!).
«Estes números constituem um grave prenúncio do que poderá acontecer nos próximos anos, uma vez que é consensual que a obesidade infantil é um factor preditor da obesidade no adulto», considera o nutricionista João Breda, coordenador da Plataforma Contra a Obesidade. E, só em Portugal, «todos os anos, morrem em média 1500 pessoas, mortes relacionadas com a obesidade e que poderiam ser evitadas», segundo o presidente da Associação de Obesos e Ex-obesos de Portugal (ADEXO), Carlos Oliveira.
Por isso, se o(a) seu filho(a) sofre de excesso de peso ou de obesidade, não minimize o problema. As crianças obesas ou com sobrepeso «podem desenvolver vários problemas de saúde, que se vão agravando até à idade adulta», comunica o site do Centro de Investigação Obesidade Online da Fundação Bissaya Barreto. A obesidade infantil «é um factor de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, síndrome metabólica, hipertensão arterial, asma e outros problemas respiratórios, alterações no sono, perturbações na puberdade ou menarca, doenças do comportamento alimentar e infecções». Já para não falar – lembra João Breda – dos «problemas osteoarticulares e distúrbios emocionais e psicológicos associados à estigmatização e exclusão social dos obesos».
Fonte: Sapo Saúde